quinta-feira, 14 de julho de 2011

Programa Suape Sustentável

artigo de Heitor Scalambrini Costa, publicado no site EcoDebate.

Com grande pompa e manchetes nos jornais foi lançado no último dia 29 de junho o Programa Suape Sustentável. O governo estadual na tentativa de mostrar que trabalha em sintonia com os anseios da sociedade, e que tem um modelo de desenvolvimento sustentável para o Estado, anunciou um programa gerido por um fórum, que reúne o poder público, entidades da sociedade civil organizada e iniciativa privada, cujo objetivo é propor e executar ações sustentáveis conjuntas no complexo industrial portuário de Suape.

O conceito de sustentabilidade para este empreendimento significa para o atual governo, nada mais “do que um processo produtivo cada vez mais eficiente e com tecnologia avançada”, e que o “sacrifício ambiental é necessário, para que ocorra o crescimento econômico”. Uma lógica completamente desconectada com as exigências atuais, que exige que um empreendimento desta natureza conduza, além dos aspectos econômicos, a uma maior igualdade e justiça social, e a preservação ambiental. Também pouco se exerce da democracia participativa, pois ao se anunciar a participação de entidades da sociedade civil neste fórum gestor tripartite, nada é informado sobre quem são e quais critérios foram adotados para a escolha destas organizações.

Todavia, diferentemente do que é propagandeado, o que se constata da realidade destes municípios, identificados como “estratégicos”, é a falta de compromisso com as necessidades sociais de seus moradores como alimentação, habitação, vestuário, trabalho, saúde, educação, transporte, cultura, lazer, segurança. O caos urbano é uma evidência, com destaque aos problemas sociais crescentes como a violência, a insegurança, a exploração e crimes sexuais. Problemas de desrespeito as leis trabalhistas pelas empresas de Suape também são conhecidos e de conhecimento público.

Nos primeiros quatro anos do atual governo foi difundido com intensa propaganda e apoio incondicional da mídia pernambucana, a ilusão e a promessa de que o crescimento econômico via Suape, levaria a redução e até eliminação do quadro de pobreza vergonhosa e imoral. Contudo o que se destacou neste período foi o considerável passivo ambiental com o aumento dos conflitos provocados pela frouxidão dos órgãos estaduais responsáveis pelo controle, fiscalização ambiental, conservação e recuperação dos recursos naturais, tais como a Agência Pernambucana de Meio Ambiente – CPRH, e a paralisação da fiscalização e exoneração de servidores do IBAMA que atuavam junto ao complexo de Suape.

Lamentavelmente, em tempos mais recentes, o elogio fácil, a adesão por interesses pessoais e algumas vezes não republicanos, a ausência da crítica; inibiu completamente o debate necessário sobre que tipo de crescimento que esta ocorrendo no estado. Ao contrário do crescimento, que para constituir base de um desenvolvimento sustentável, tem de ser socialmente regulado, com o controle da população e com a redistribuição da riqueza.

Algumas pessoas e entidades foram cooptadas e trazidas para dentro do aparelho do Estado, e lá se neutralizaram se anestesiaram, se despolitizaram. O “oficialismo” tirou qualquer possibilidade de crítica e de reivindicação. Sindicalistas, militantes, ambientalistas tornaram-se assim, em muitos casos, funcionários do governo. Outros, por um erro de avaliação, acreditando na expectativa de uma mudança de postura no trato das questões ambientais, aprovaram a transformação da antiga Secretaria de Ciências, Tecnologia e Meio Ambiente-SECTMA em Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade-SEMAS, e apoiram como seu titular o ex-presidente estadual do Partido Verde, candidato a governador em 2010, Sergio Xavier. Deram um “cheque” em branco a um governo que durante os quatro anos do seu primeiro mandato em nenhum momento discutiu e aceitou, mesmo que parcialmente, as reivindicações e ponderações do movimento ambientalista. Esqueceram a lei proposta pelo governador e aprovada em abril de 2010 pela Assembléia Legislativa, que autorizou o desmatamento de 691 hectares de vegetação nativa (508 hectares de mangue, 17 de mata atlântica e 166 de restinga) em Suape.

Agora chegou o Programa Suape Sustentável, com muita propaganda e marketing, seguido de declarações otimistas de quem está dentro e acha que faz o máximo, tentando passar a sensação de realmente estar mudando, transformando o Estado, começando a virada, criando as condições para um desenvolvimento sustentável. Assim, só é otimista quem precisa por dever de ofício animar o auditório.

Resta aos iludidos, para aqueles que não aceitam mais trocar “o seis por meia dúzia”, nem aceitam o falso discurso da novidade e dos novos caminhos, o fortalecimento dos movimentos sociais, da sociedade civil, pois só assim poderemos nos mobilizar e garantir a elevação da qualidade de vida dos pernambucanos.

Heitor Scalambrini Costa é Professor da Universidade Federal de Pernambuco.

EcoDebate, 14/07/2011

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Campanha do MMA "Separe o lixo e acerte na lata" ganha site próprio.


Já a algumas semana estamos vendo nos intervalos comerciais dos principais canais de televisão as histórias de uma garrafa pet, uma latinha de alumínio e uma casca de banana! Trata-se de uma campanha do Ministério do Meio Ambiente intitulada "Separe o lixo e acerte na lata", que busca incentivar a destinação correta dos resíduos, através da separação do lixo seco e do lixo úmido.
Na última sexta-feira, dia 08/07, a Campanha ganhou o seu próprio site, onde podemos ver instruções de como fazer essa separação, informações sobre a Política Nacional de Resíduos Sólidos, além de abrir um canal de comunicação entre a população e o MMA.

O endereço do site é bem simples: separeolixo.com

Segundo o próprio MMA, o site será utilizado como canal de divulgação e acompanhamento das ações referentes à Política Nacional de Resíduos Sólidos, que visa erradicar a existência de lixões no Brasil até 2014.





quarta-feira, 6 de julho de 2011

Dica!

Quer ser sustentável mas não gosta de ideia de usar produtos sem graça (opinião de muitos!) ou que não tem tantos recursos quanto aquele outro daquela empresa que gera toneladas de poluição?
Pensando nesses consumidores, a eCycle, importante marca que explora o consumo sustentável, nos mostra na sessão "Pegue Leve" em seu hotsite, diversos produtos modernos e inovadores que unem funcionalidade, design e a preocupação com o ciclo de vida.


*O Vértice Sustentável não realiza publieditoriais.




terça-feira, 5 de julho de 2011

IPTU Verde

Com o tema do desenvolvimento sustentável em alta, estamos acostumados a vermos dicas e sugestões para tornarmos nosso cotidiano mais sustentável, reduzindo desperdícios como poupar água no banho, trocar o tipo de lâmpada, entre tantas outras atitudes que nos são recomendadas.

Mas se pararmos para observar, a grande maioria desses aconselhamentos vêm de ONGs, ativistas, grupos sociais e até mesmo empresas com interesse na causa. Pouco vemos do governo incentivos à adoção de práticas sustentáveis, no máximo instruções por propagandas ou cartilhas, que particularmente acredito que não gerem um resultado suficiente para comover a sociedade.

Infelizmente ainda vivemos numa situação em que para que se tenha algo, é preciso dar um outro algo em troca. Mas aí já entramos numa problemática muito maior que vêm da educação, e se formos esperar a evolução desse quadro para tomarmos atitudes em outras vertentes, pode procurar uma poltrona bem confortável por que a espera é longa.

Correndo com a maré, e contando com uma visão de futuro, algumas prefeituras do interior de São Paulo, como dos municípios de São Carlos e Guarulhos, estão despontando no cenário ambiental com a iniciativa do IPTU Verde, onde são concedidos descontos aos imóveis que adotam medidas consideradas “verdes”. Como exemplo o município de Guarulhos, através da Lei Municipal 6.739/10, ondeos proprietários podem receber até 20% de desconto sobre seu imposto ao investir nas seguintes medidas:

• Sistema de captação da água da chuva: 3% de desconto
• Sistema de reuso de água: 3% de desconto
• Sistema de aquecimento hidráulico solar: 3% de desconto
• Sistema de aquecimento elétrico solar: 3% de desconto
• Construções com material sustentável: 3% de desconto
• Utilização de energia passiva: 3% de desconto
• Sistema de utilização de energia eólica: 5% de desconto
• Instalação de telhado verde: 3% de desconto
• Separação de resíduos (concedido apenas para condomínios): 5% de desconto

São medidas que trazem benefícios não só a quem implanta, mas ao município como um todo, pois o aumento do número de imóveis com essas características pode gerar melhoria na qualidade do ar, equilíbrio da temperatura (aquele mormaço das cidades teria um alívio enorme), redução de custos com geração de energia, captação e tratamento de água, coleta, tratamento e destinação de resíduos... . A sociedade, a natureza e os nossos bolsos agradecem!

Temos que levar esse exemplo a todos os municípios do nosso país. Fazer com que nossos governantes consigam ver a oportunidade por trás dessas ações.

Mais informações:

http://bagarai.com.br/iptu-verde-concede-desconto-de-ate-20.html

http://www.observatorioeco.com.br/integra-lei-de-iptu-verde-cria-incentivos-ambientais/